Lúpus eritematoso sistêmico juvenil

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O que é e qual sua causa?
O lúpus é uma doença autoimune cuja característica principal é uma desregulação no sistema imune do nosso corpo que faz com que as proteínas dos núcleos das células passam a ser interpretadas como prejudiciais à saúde e o corpo passa a produzir anticorpos contra essas proteínas (auto-anticorpos). A causa da doença é desconhecida. O que se sabe até o momento é que a doença aparece em indivíduos com alguma alteração genética somada a fatores desencadeadores como exposiçao solar, infecções, estresse emocional, cirurgia, gravidez e alterações hormonais como estrógeno e prolactina.

Os sintomas podem aparecer progressivamente ou evoluir de forma rápida e, variam muito entre os pacientes. O ideal é que o tratamento seja iniciado tão logo se tenha certeza do diagnóstico e de forma individualizada de acordo com os sintomas de cada paciente.

Só ocorre em mulheres adultas?
A doença pode ocorrer em qualquer idade e sexo, mas acomete mais frequentemente mulheres entre 20 e 30 anos, sendo que aproximadamente 20% do total de casos começam nas crianças.

Quais os principais sintomas?
Apesar da complexidade e da variedade, a doença pode apresentar, inicialmente, sintomas como emagrecimento, lesões cutâneas, dor nas juntas, queda de cabelo, aftas, febre, perda de apetite e fraqueza. O rim também pode ser comprometido, desencadeando a insuficiência renal, a mais grave das consequências ocasionadas pelo lúpus.

Quais os tipos de lúpus e complicações mais comuns?
O lúpus tem dois tipos mais frequentes: o cutâneo e o sistêmico. O primeiro atinge a pele, sem comprometer os órgãos internos. O aparecimento de manchas avermelhadas principalmente na região do colo, orelhas e nas maçãs do rosto e no nariz – estas últimas no formato de asa de borboleta – é uma manifestação cutânea característica da doença. Já o lúpus sistêmico costuma atingir, além da pele, diferentes órgãos e grandes articulações.
Os quadros mais preocupantes da doença são os comprometimentos do coração, cérebro, rins e das plaquetas. Se não identificados ou tratados precocemente, podem levar à perda do rim ou até à morte.

O comprometimento neuropsiquiátrico é outro fator que merece atenção, embora seja menos frequente. O paciente pode desenvolver problemas cognitivos, delírios, fortes dores de cabeça, psicose, depressão, ansiedade e manias.

Como é feito o diagnóstico?
Frente à variedade de sintomas, identificar o lúpus exige uma minuciosa avaliação clínica, assim como a realização de alguns exames de sangue, de urina e de imagem. Não existe um exame laboratorial que, sozinho, permita fazer o diagnóstico da doença. Ele é sempre feito por meio de um conjunto de sinais, sintomas e alterações laboratoriais.

Uma pessoa com fator antinuclear (FAN) positivo sem outros sinais e sintomas característicos da doença não significa que tem lúpus, mas a dosagem deste FAN é uma importante ferramenta para um diagnóstico preciso.

E o tratamento? O lúpus tem cura?
A definição do tratamento vai depender das principais queixas do paciente e das manifestações clínicas da doença. O prognóstico melhorou muito nos últimos anos e hoje os medicamentos existentes são eficientes no controle da doença. Dependendo da gravidade do caso, quais órgãos foram acometidos e aspectos específicos de cada paciente, o tratamento pode variar em intensidade e tempo de duração.

A proteção solar também é recomendada aos pacientes, já que o sol pode piorar alguns dos sintomas dermatológicos. É importante utilizar produtos que bloqueiem os raios ultravioletas tanto do tipo A quanto do tipo B. Além disso, é essencial manter as taxas de colesterol em níveis normais, elevar a dose de vitamina D e adotar uma nutrição balanceada.

O lúpus não tem cura. Por ser uma doença auto-imune, sempre pode haver períodos de remissão (sem sintomas) e de exarcebação (com sintomas) de acordo com a produção dos auto-anticorpos, mas com o tratamento existente atualmente, conseguimos controlar mais facilmente a doença. Por ser uma doença crônica, é essencial o acompanhamento regular com um reumatologista, que deve ser definido de acordo com o nível de atividade e a evolução do lúpus.

Você sabia?
• Recém-nascidos também podem apresentar lúpus chamado lúpus neonatal. A condição é rara e tende a se curar por volta dos 6 a 9 meses.
• A mulher que tem um filho com lúpus não significa que os outros filhos também terão a doença. Não é uma doença hereditária.
• A mulher com lúpus pode engravidar normalmente, mas deve estar com a doença sob controle há, pelo menos, seis meses e relatar o plano de engravidar ao reumatologista para ajuste das medicações. Há vários medicamentos imunossupressores que não podem ser usados durante a gestação.
• Quem tem lúpus deve sempre ter a carteira de vacinação atualizada, já que a imunização aumenta as defesas do corpo e quem tem lúpus tem uma chance maior de contrair infecções diversas.
• O reumatologista é o médico mais especializado em diagnosticar e tratar o lúpus.

Principais sintomas do lúpus sistêmico juvenil

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